Oficialmente, a petição de defesa de Almada é o primeiro documento
produzido por um dos empreiteiros presos na Operação Lava-Jato a
associar o esquema de corrupção montado dentro da Petrobras à compra e
manutenção da base aliada do governo no Congresso, análogo ao ocorrido
no esquema do Mensalão. O empreiteiro ainda reconhece indiretamente que
pagou propina e tenta colocar os empresários como vítimas do esquema.
“Não por coincidência, a antes lucrativa sociedade
por ações, PETROBRÁS, foi escolhida para geração desses montantes
necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das
agremiações partidárias”, diz a defesa.
O documento é a resposta à denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em novembro. De acordo com o documento, Paulo Roberto ameaçava as empresas caso não fossem desviados valores para o esquema:
“Nessa combinação de interesses escusos, surgem personagens como
PAULO ROBERTO COSTA, que, sabidamente, passou a exigir percentuais de
todos os empresários que atendiam a companhia. Leia-se,
exigir. O que ele fazia era ameaçar, um a um, aos empresários, com o
poder econômico da PETROBRÁS. Prometia causar prejuízos no curso de
contratos”, afirma outro trecho do documento.
Na argumentação da defesa, a denúncia do MPF não pode ser aceita porque não levaria em conta o “plano de manutenção” do PT no governo federal:
“A denúncia não pode ser recebida, pois não conta a verdade, fim precípuo do processo penal. Vale registrar alguns fatos notórios, outros emergentes dos próprios autos
do inquérito policial, que desapareceram da acusação: faz mais de doze
anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano
de manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com
políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na
Administração Pública, em especial, em empresas públicas e em sociedades
de economia mista”
A petição foi protocolada na quarta-feira pelo advogado de Almada,
Antonio Sergio de Moraes Pitombo. O empreiteiro é acusado de formação de
cartel e de integrar uma organização criminosa montada para controlar e
superfaturar obras da Petrobras.
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